Crianças com deficiência têm dificuldades extras com ensino a distância - Cabeça de Criança
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    Crianças com deficiência têm dificuldades extras com ensino a distância



    Crianças com deficiência têm dificuldades extras com ensino a distância
    Imagem de Alireza Attari por Unsplash

    As crianças com deficiência têm enfrentado dificuldades extras com ensino a distância durante a pandemia do novo coronavírus. E pior: essa realidade ainda não tem data para terminar. A falta de perspectiva preocupa David Rosenblatt, pai de Nico, e Elizabeth Daggett, mãe de Henry, segundo relato para o site Wamu.

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    Nico tem deficiências de desenvolvimento complexas causadas por uma condição genética chamada Síndrome de Angelman. Por isso, ele se comunica principalmente por meio de um dispositivo auxiliar. O garoto de 8 anos recebe apoio do sistema de escolas públicas de Arlington e conta com auxílio nas aulas, interações sociais e necessidades pessoais.

    “Para Nico, estar em um espaço onde você não pode tocar nas pessoas, compartilhar coisas ou chamar a atenção delas é muito desafiador”, diz o pai.

    Já Henry possui a síndrome de Christianson, uma mutação genética que causa atrasos no desenvolvimento e epilepsia. Segundo sua mãe, ele é como uma criança de 2 anos no corpo de uma de 9. Quando está na escola, o menino recebe atenção especial. Em sua sala, são oito crianças com necessidades especiais e cinco adultos para ajudá-las.

    Longe das salas de aula desde março, Henry teve de abandonar a fisioterapia, a terapia ocupacional e a terapia da fala. Além disso, o garoto não se interessou pelas atividades online. Embora tenha sido compreensiva após o fechamento das escolas, Elizabeth mostra insatisfação alguns meses depois.

    “Sinto que todas as escolas tiveram tempo para avaliar o que funcionou, o que não funcionou, o que podemos fazer melhor”, diz. Sem ter conhecimento do planejamento da escola do seu filho, a mãe dispara: “Somos nós que estamos tentando encontrar soluções.”

    Retrocesso

    Judith Sandalow, a diretora executiva do Children’s Law Center em Washington, diz que muitos sistemas escolares não estão fornecendo apoio no programa de educação individualizada dessas crianças. Ela conta também que ouviu histórias de pais de toda a região dizendo que seus filhos com deficiência estão regredindo.

    “Um de nossos alunos começou a aprender a falar e, desde a pandemia, literalmente parou de falar. Estamos vendo isso repetidamente, os alunos estão realmente retrocedendo sem o apoio contínuo de professores e terapeutas”, afirma Sandalow.

    Funcionários e administradores escolares, por sua vez, dizem que a pandemia os deixou em uma posição difícil e que eles têm tentado ajustar os modelos de aprendizagem da melhor forma possível para crianças com deficiência. Em Arlington, a promessa é de que todos os serviços serão liberados de forma virtual na reabertura das escolas.

    “Gostaria de ver algumas soluções criativas e flexíveis. Acho que há situações em que deveriam mandar os funcionários para as casas das famílias. O risco de auxiliar alunos individualmente é menor do que trabalhar em uma instituição de ensino”, opina David Rosenblatt, pai de Nico.

    Polêmica

    Os sistemas de ensino temem ser alvo de ações judiciais. Em defesa, os administradores alegam que a lei federal estadunidense que estabelece que crianças com deficiência têm o direito legal a uma “educação pública apropriada e gratuita” não previa uma situação como a pandemia de coronavírus.

    Já os pais apontam o condado de Loudoun, na Virgínia, como um exemplo de distrito que priorizou crianças com deficiência. Durante o verão, as escolas municipais deram aulas para aproximadamente 700 crianças com necessidades especiais, desde a primeira infância até a terceira série. Cerca de 65 alunos tiveram aulas presenciais, enquanto o restante optou por um sistema híbrido, mesclando aulas virtuais e presenciais.

    Além disso, os pais se preocupam com as consequências futuras na vida das crianças com deficiência. “Acho que a lacuna e o tempo perdido para crianças como Nico são muito mais dramáticos. Isso vai deixá-las muito mais para trás”, conclui David.

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