Conheça cinco mitos sobre a fissura labiopalatina - Cabeça de Criança
  • Conheça cinco mitos sobre a fissura labiopalatina

    fenda labiopalatina



    fenda labiopalatina
    Foto: Operação Sorriso / Divulgação

    Dia 24 de junho é o Dia da Conscientização Sobre a Fissura Labiopalatina.

    As fissuras labiopalatinas englobam a fenda labial, também conhecida como lábio leporino, que é uma abertura no lábio superior, e a fenda palatina, que é uma abertura no palato, mais conhecido como céu da boca. As causas destas malformações ainda não são totalmente conhecidas e, por isso, geram muitas dúvidas.

    LEIA TAMBÉM:
    Veja dicas para cuidar da saúde das crianças neste inverno com tempo seco
    Pergunte ao especialista: crianças podem tomar café?
    Máscara: 5 coisas que você precisa saber para limpar a sua

    Estima-se que, em todo o mundo, uma criança nasce a cada três minutos com fissura. No Brasil uma criança a cada 650 nasce com malformação, em média.

    Segundo Diógenes Laercio Rocha, cirurgião plástico e voluntário da Operação Sorriso, sabe-se que a fissura ocorre durante o período de formação da face do feto, mais ou menos entre a quarta e a décima semanas de gestação, quando os elementos formadores do lábio e palato, originários das porções laterais e superior da face se unem, formando a face. São as alterações neste processo de formação que determinam o aparecimento das fissuras.

    Conheça alguns mitos sobre lábio leporino e fenda palatina, de acordo com o médico:

    1- A fissura não tem cura

    Isso não é verdade. Há tratamento para as fissuras, e ele é multidisciplinar. A correção das fissuras envolve procedimento cirúrgico e também o trabalho de dentistas e fonoaudiólogos. Para os casos de malformação no lábio, a melhor idade para se operar um paciente é a partir dos 3 meses de vida, já que, nessa idade, a criança tem um peso que permite uma anestesia mais segura. E, também, as estruturas do lábio e nariz estão mais desenvolvidas e os ossos estão mais fortes, o que melhora o resultado estético e compromete menos o crescimento da face no futuro.

    No caso das alterações no palato, a melhor idade para a cirurgia deve ser por volta dos 12 a 18 meses, dependendo do tipo e do tamanho da fissura, antes da criança articular as palavras de forma completa.

    2 – A pessoa que nasce com fissura nunca vai ter uma vida normal

    As fissuras podem causar obstáculos como uma dificuldade inicial para o aleitamento ou a necessidade de tratamento fonoaudiológico, para corrigir a fala e a voz anasalada, principalmente no caso de fenda palatina, e odontológico, para corrigir o posicionamento dos dentes. Mas, deopis que esses tratamentos são realizados, o paciente pode ter uma vida normal sim.

    3- A cirurgia é demorada e complexa

    A cirurgia de correção da fissura labial e da deformidade do nariz leva cerca de duas horas. Mesma duração da correção da fenda no palato, dependendo da complexidade do caso. Tanto a cirurgia como os demais tratamentos devem ser realizados por profissionais especializados.

    4 – É uma malformação rara

    Fissura labiopalatina é a malformação mais comum da face. Pesquisa do Departamento de Genética da Universidade de Emory, em Atlanta (EUA), aponta que o risco de qualquer malformação congênita em pais jovens e não consanguíneos é de 3 a 4%, ou seja, de cada 100 crianças nascidas, de 3 a 4 podem ter algum tipo de malformação.

    5 – A causa é só genética

    Há sim um componente genético, mas a porcentagem de incidência não está bem estabelecida em famílias sem fissura.

    Estudos mostram que vários fatores podem provocar o nascimento de bebês com fissuras, sendo que os mais comuns são os chamados ambientais. Entre eles estão doenças na mãe, como diabetes, hipotireoidismo, viroses (como rubéola ou toxoplasmose), deficiências nutricionais, principalmente de vitamina B12 ou ácido fólico, uso de certos medicamentos (anticonvulsivantes, altas doses de aspirina, corticosteroides, imunossupressores), ou ainda fumar, usar drogas ou bebidas alcoólicas principalmente no primeiro trimestre da gestação.

    Como o tratamento geralmente demanda acompanhamento do cirurgião plástico, fonoaudiólogo, ortodontista e demais profissionais, aconselha-se que a cirurgia e demais tratamentos sejam feitos na mesma região em que o paciente mora.

    A Operação Sorriso é uma das maiores organizações médicas voluntárias do mundo e reúne profissionais de 60 países para ajudar pessoas nascidas com deformidades faciais, especialmente lábio leporino e fenda palatina. Em 37 anos de trabalho a organização já atendeu mais de 288 mil crianças pelo mundo. No Brasil a entidade realiza mutirões de cirurgias gratuitas principalmente no Norte e Nordeste, já que a maioria dos 28 centros de tratamento para fissurados no Brasil se localizam no Sul e no Sudeste. No país a organização já realizou 79 missões humanitárias e operou 5.739 crianças e adultos desde 1997.

  • Back to top