Estudo mostra impacto positivo da licença paternidade na saúde mental das mães
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    Imagem de PublicDomainPictures por Pixabay 

    Um novo estudo feito por economistas da Universidade de Stanford mostra que dar aos pais flexibilidade para se afastarem do trabalho nos meses após o nascimento dos filhos melhora a saúde pós-parto e o bem-estar mental das mães.

    No estudo, divulgado pelo Departamento Nacional de Pesquisas Econômicas de Stanford, pesquisadoras examinaram os efeitos de uma reforma na Suécia que introduziu mais flexibilidade no sistema de licença parental.

    A lei, de 2012, removeu uma restrição prévia que impede que a mãe e o pai de uma criança façam uma licença remunerada ao mesmo tempo. E permitiu que os pais usassem até 30 dias de licença remunerada de forma intermitente dentro de um ano após o nascimento do filho, enquanto as mães ainda estavam de licença.

    A mudança na política resultou em alguns benefícios claros para a saúde da mãe, incluindo reduções nas complicações relacionadas ao parto e ansiedade pós-parto.

    “Muito da discussão sobre como apoiar as mães é sobre as mães serem capazes de tirar licença, mas muitas vezes não pensamos sobre a outra parte da equação: os pais”, diz Maya Rossin-Slater, professora assistente de pesquisa em saúde e política.

    “Nosso estudo ressalta que a presença do pai na família logo após o parto pode ter importantes consequências para a saúde física e mental da nova mãe”, diz Petra Persson, professora assistente de economia.

    Entre as principais conclusões dos efeitos da reforma estão que as mães que têm os pais do bebê mais presentes têm 14% menos probabilidade de precisar de um especialista ou de serem admitidas em um hospital por complicações relacionadas ao parto – como mastite ou outras infecções – nos primeiros seis meses do parto. E as mães também estão 11% menos propensas a obter uma prescrição de antibiótico no primeiro semestre da vida do bebê.

    Há também uma queda geral de 26% na probabilidade de qualquer prescrição de remédios para ansiedade durante esse período de seis meses após o parto – com reduções nas prescrições sendo mais pronunciadas durante os primeiros três meses após o parto.

    Além disso, o estudo constatou que o pai novo usavam sua licença remunerada por apenas alguns, muito menos do que o máximo de 30 dias permitidos. Isso indica que apenas alguns dias de apoio extra para a mãe já fazem uma grande diferença.

    “A chave aqui é que as famílias têm a flexibilidade de decidir, no dia-a-dia, exatamente quando ter o pai em casa”, disse Persson. “Se, por exemplo, a mãe desenvolve sintomas de mastite durante a amamentação, o pai pode tirar um ou dois dias de folga do trabalho para que a mãe possa descansar, o que pode evitar complicações da infecção ou a necessidade de antibióticos”, afirma a pesquisadora.

    Esses benefícios indiretos de dar flexibilidade aos pais no local de trabalho não são questões triviais quando você considera os problemas de saúde que as mães enfrentam frequentemente após o parto e depois que chegam em casa do hospital, diz Rossin-Slater.

    Infecções e complicações do parto levam a uma em cada 100 mulheres readmitidas no hospital dentro de 30 dias nos Estados Unidos, de acordo com o estudo.

    Enquanto isso, a depressão pós-parto ocorre em cerca de uma em cada nove mulheres, e a mortalidade materna também tem sido uma tendência crescente nos últimos 25 anos nos EUA.

    O contexto mais amplo em torno das políticas pagas de licença familiar é frequentemente formulado hoje como uma forma de ajudar a reduzir a diferença salarial entre homens e mulheres, dando às mulheres mais flexibilidade no local de trabalho e menos retrocessos na carreira.

    Este estudo, no entanto, lança uma luz sobre os custos de saúde materna e como uma política de licença familiar paga – que inclui flexibilidade no trabalho para o pai – oferece mais benefícios do que se pensava anteriormente, diz Rossin-Slater.

    “É importante pensar não apenas em dar às famílias acesso a alguma licença, mas também em permitir que eles tenham poder de decidir como usá-la”, diz ela.

    Rossin-Slater destaca que não é como se os pais acabassem usando um mês inteiro para ficar em casa e assistir TV. “Não encontramos nenhuma evidência disso”, diz a pesquisadora. “Em vez disso, eles usam apenas um número limitado de dias precisamente quando o momento para isso parece mais benéfico para a família”, afirma.

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