Pesquisadora desvenda causas do choro do bebê - Cabeça de Criança
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    choro de bebê



    Imagem de joffi por Pixabay 

    Conversamos com cientista que desenvolveu algoritmo para te ajudar a entender o motivo do choro do bebê

    Uma das maiores dificuldades de pais de primeira viagem é identificar o motivo do choro de um bebê.

    São muitos fatores que podem incomodar o bebê: fralda suja, fome, frio, calor, desconforto com a roupa, tédio, desconforto com o ambiente, necessidade de colo e/ou contato físico, cólica, sono, cansaço…ufa! Não saber o motivo do choro pode causar estresse e preocupação nos pais, que também estão exaustos com a nova rotina.

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    Foi essa insegurança que inspirou Lichuan Liu, professora da Faculdade de Engenharia e Tecnologia de Engenharia da Universidade do Norte de Illinois, nos EUA. Após o nascimento de seu filho, ela sentiu-se motivada a encontrar uma maneira de determinar o significado por trás de seus gritos.

    “Meu marido e eu não fazíamos ideia do que o nosso filho queria”, diz a pesquisadora. “Eu imaginei que deveria haver uma maneira de determinar o que seu choro significava”, afirma.

    Lichuan estuda processamento digital de sinais, aprendizado de máquina e controle de ruído ativo. Ela fez uma parceria com uma clínica para gravar os gritos de 20 a 30 bebês, registrando o tom, a frequência e o tempo do choro.

    A pesquisa resultou em um algoritmo de inteligência artificial que pode detectar o significado por trás do choro do bebê. “Como uma linguagem especial, existem muitas informações relacionadas à saúde em vários sons”, disse ela. A partir disso, o estudo descobriu que, para bebês de até 12 semanas de idade, há semelhanças no choro causado por dor, desconforto e outros gatilhos.

    Conversamos com Liu para desvendar os principais motivos de choro:

    Choro por fralda suja
    O choro que vem por conta da fralda suja é considerado um choro “normal”. Ele começa com um choro irritado, intercalado com breves momentos de silêncio, seguido por uma espécie de “assovio” curto e agudo quando o bebê inspira. Se ele se contorcer, mexer o corpo, pode ser outro sinal de desconforto com a fralda.

    Choro de fome
    É o choro mais “genérico”, mais comum. Geralmente esse tipo de choro é mais barulhento e mais abrupto comparado com o choro por fralda suja. A duração do choro é mais longa, mas também é intercalada com momentos de silêncio. Os choros de fralda suja e fome podem ser confundidos com choro por necessidade de atenção dos pais.

    Choro de sono
    O choro de sono começa com um tom mais baixo, que vai aumentando gradualmente, e daí abaixa novamente. O choro é intercalado com períodos de silêncio mais longos do que os outros tipos de choro. Esfregar os olhos e bocejar também são sinais de cansaço. Significa que é hora de tirar uma soneca.

    Choro de dor
    Choros de dor são mais agudos, estridentes, e duram mais tempo. Esse tipo de choro pode significar problemas médicos, como infecções ou problemas no sistema nervoso central.

    Se o bebê for maiorzinho, ele pode colocar a mão no local que está doendo. Por exemplo, em uma dor de ouvido.

    Agora, se o choro for fraco e acompanhado de gemidos, pode ser sinal de que o bebê está com algum outro problema de saúde. Nesse caso, é melhor consultar o pediatra.

    Choro de cólica
    Embora o estudo de Lichuan Liu não tenha estudado especificamente o choro de cólica, outras fontes médicas dão conta de que esse tipo de choro é aquele inconsolável. Apesar de a cólica ser um tipo de dor, essa causa específica de desconforto também vem com um choro específico. É intenso, alto, prolongado e geralmente vem acompanhado de movimento das pernas.

    Se todas as outras causas forem excluídas, quer dizer, se o bebê estiver alimentado, com a fralda limpa, nem muito quente, nem muito frio, com roupas confortáveis e descansado, é bem provável que a causa dos gritos seja a cólica.

    A pesquisa foi apresentada em um artigo publicado na edição de maio da revista científica IEEE/CAA Journal of Automatica Sinica.

    A universidade está procurando parceiros industriais que possam transformar o estudo em um dispositivo disponível no mercado, mas ainda não há previsão de quando ele possa ser fabricado.

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