Sete coisas que a ciência já sabe sobre covid-19 e crianças - Cabeça de Criança
  • Sete coisas que a ciência já sabe sobre covid-19 e crianças

    Sete coisas que a ciência já sabe sobre covid-19 e crianças



    Sete coisas que a ciência já sabe sobre covid-19 e crianças
    Imagem de Izzy Park por Unsplash

    Ao longo dos últimos meses, diversas pesquisas foram desenvolvidas na tentativa de entender melhor o impacto do novo coronavírus na saúde das crianças. Muitas dúvidas persistem, mas outras já foram desvendadas. Confira sete coisas que a ciência já sabe sobre covid-19 e crianças, segundo o G1.

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    1. Sintomas da covid-19

    Febre (70%), tosse (39%), náusea ou vômito (32%) e falta de ar (30%) são os sintomas mais comuns da covid-19 em crianças e adolescentes até 19 anos. Essa foi a conclusão de um estudo britânico, publicado no “British Medical Journal” (BMJ), depois de avaliar 651 pacientes.

    Já uma pesquisa da Coreia do Sul constatou que muitas crianças são assintomáticas, ou seja, não apresentam qualquer sintoma. Das 91 crianças e adolescentes até 18 anos, 20 delas (22%) não mostraram qualquer sinal da doença durante os 16 dias de monitoramento. Enquanto 18 crianças (25%) só apresentaram sintomas depois de um tempo.

    As crianças também podem apresentar problemas gastrointestinais, como diarreia e vômito. Segundo o pediatra Artur Figueiredo Delgado, coordenador do CTI do Instituto da Criança e do Adolescente do Hospital das Clínicas da USP (HCFMUSP), esse é um indicativo de que a evolução da covid-19 em crianças é mais grave.

    2. Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica

    As crianças podem desenvolver a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIMP), condição associada à covid-19 que causa inflamação e pode atingir diversos órgãos. Febre persistente é a principal característica da síndrome, que pode ser acompanhada de dores no corpo, dores de cabeça, mal-estar e indisposição. Os sintomas lembram a síndrome de Kawasaki, doença de origem imunoalérgica.

    Embora a incidência da SIMP tenha aumentado na pandemia de coronavírus, o pediatra Artur Figueiredo Delgado explica que a síndrome é rara e já existia antes da covid-19. Segundo o Ministério da Saúde, até o dia 22 de agosto foram registrados 197 casos e 14 mortes de SIMP associados à covid-19 em crianças e adolescentes até 19 anos.

    3. Gravidade da covid-19

    A probabilidade de desenvolver um quadro grave da doença é menor em crianças do que em adultos, mas existe o risco. No estudo britânico, 18% das crianças (116 de 632) receberam cuidados intensivos, 9% necessitaram de ventilação não invasiva (57 de 619) e outras 9% (58 de 620) precisaram de ventilação mecânica (intubação).

    Segundo os autores da pesquisa, ter a pele negra é um fator de risco a mais. Crianças negras tiveram três vezes mais chance de precisar de cuidados intensivos em comparação com crianças brancas. Ainda que diversas condições possam ajudar a entender essa estatística, os pesquisadores acreditam que os fatores genéticos têm alguma influência.

    Já uma pesquisa realizada em um hospital infantil de Nova York observou que, entre 50 crianças e adolescentes com idade até 21 anos, os pacientes que precisaram de hospitalização tinham comorbidades. O estudo constatou ainda que os bebês desenvolviam uma forma menos grave da doença.

    4. Risco de morte

    Crianças podem morrer de covid-19, mas o risco é muito baixo. Segundo os pesquisadores britânicos, os casos são “excepcionalmente raros”. O índice entre as crianças foi de 1% – seis mortes entre 627 pacientes com idade até 19 anos.

    De acordo com o Ministério da Saúde, até o dia 5 de setembro, 821 crianças e adolescentes, de 0 a 19 anos, morreram no Brasil por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causada pela covid-19. Ainda estavam sendo analisados 74 outros casos.

    5. Carga viral

    Um estudo norte-americano, publicado em 20 de agosto, concluiu que crianças com covid-19 internadas na UTI tinham maior carga viral do que adultos hospitalizados, sobretudo nos pacientes entre 11 e 16 anos. Apesar disso, o quanto as crianças conseguem transmitir a doença ainda é uma incógnita. Recomenda-se que crianças a partir de 2 anos usem máscara.

    6. Tempo do coronavírus fica no corpo

    Ainda não se sabe exatamente por quanto tempo o coronavírus fica no corpo das crianças. O estudo da Coreia do Sul apontou uma média de 17,6 dias, sendo que, nos casos assintomáticos, o tempo foi de 14,1 dias.

    Já outra pesquisa norte-americana, realizada no Children’s National Hospital, indicou que pacientes de 6 a 15 anos levaram 32 dias para eliminar o coronavírus, enquanto adolescentes de 16 a 22 anos, 18 dias. Além disso, as meninas precisaram de mais tempo que os meninos, 44 contra 25,5 dias.

    7. Por que as crianças tendem a ser menos afetadas?

    Por que as crianças tendem a ser menos afetadas pela covid-19 ainda é um mistério para a ciência, mas existem diversas hipóteses levantadas por um estudo publicado no dia 3 de setembro no periódico científico “PNAS” (Proceedings of the National Academy of Sciences).

    A primeira é que ACE2 (enzima conversora de angiotensina) é reduzida no trato respiratório das crianças. Outra possibilidade é que a imunidade adaptativa a resfriados comuns pode dar algum tipo de proteção contra a covid-19.

    Considera-se também que as respostas imunes do Th2 sejam protetoras em crianças ou que a eosinofilia, associada ao Th2, possa ser protetora. A última hipótese diz que crianças geralmente produzem níveis mais baixos de citocinas inflamatórias nas células pulmonares.

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