Brasil tem mais de 200 mortes de grávidas e puérperas por covid-19 - Cabeça de Criança
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    Brasil tem mais de 200 mortes de grávidas e puérperas por covid-19



    Brasil tem mais de 200 mortes de grávidas e puérperas por covid-19
    Imagem de lisa runnels por Pixabay

    Um dos epicentros do novo coronavírus, o Brasil registra mais de 200 mortes de grávidas e puérperas por covid-19. Segundo dados do Sivep-Gripe (Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe) divulgados pelo jornal Folha de S. Paulo, o País soma ao todo ao menos 1.860 casos da doença causada pelo novo coronavírus entre mulheres gestantes ou no período pós-parto até o último dia 14 de julho.

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    O número de mortes durante a pandemia ainda é parcial e pode ser ainda maior, mas um grupo de obstetras e enfermeiras de 12 universidades e instituições públicas brasileiras prevê um aumento expressivo na taxa de mortalidade materna no Brasil em 2020.

    De acordo com um estudo desse grupo de pesquisadores, publicado na revista médica International Journal of Gynecology and Obstetrics no último dia 9, 22,6% das mulheres que morreram no Brasil não tiveram acesso a um leito de UTI e 36% não foram intubadas. A pesquisa analisou, à época, 124 óbitos de gestantes e puérperas por Covid-19 no País – número que representava 77% das mortes maternas registradas no mundo devido à doença.

    A má qualidade do pré-natal, os recursos insuficientes para lidar com situações emergenciais e a dificuldade no acesso aos serviços de saúde estão entre as hipóteses apontadas pelos obstetras e enfermeiras ao jornal para o aumento de mortes grávidas e puérperas por Covid-19.

    Recorte racial

    Na última terça-feira (28), o mesmo grupo de pesquisadores divulgou outro estudo, publicado na revista científica Clinical Infectious Diseases, fazendo um recorte racial dos óbitos por Covid-19. Na análise de 69 casos, a pesquisa constatou que mulheres negras grávidas têm quase duas vezes mais chance de morrer por Covid-19 do que mulheres brancas grávidas (17% contra 8,9%).

    Além do risco de morte, mulheres negras gestantes tiveram mais necessidade de internação na UTI e de ventilação mecânica. A pesquisa mostrou que, no momento da internação, 68,5% delas tinham falta de ar como sintoma, comparado a 54,8% das mulheres brancas grávidas.

    As pesquisadoras levaram em conta a autodeclaração das pacientes, excluindo as mulheres autodeclaradas pardas na comparação, e usaram a classificação de cor da pele/raça estabelecida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, responsável pelo Censo).

    Ao G1, a cientista Débora de Souza Santos, primeira autora do estudo e professora de Saúde Coletiva na Faculdade de Enfermagem da Unicamp, disse ver esse cenário como um reflexo dos problemas sociais do Brasil. “O racismo é um determinante estrutural da saúde. A mulher preta já acumula essas opressões todas: ela já morre mais, já tem menos acesso ao serviço de saúde. A pandemia só agrava o que já existe na sociedade”, afirmou.

    A situação preocupante envolvendo a saúde de grávidas e puérperas no Brasil foi discutido em um evento virtual do Conass (conselho dos secretários estaduais de saúde). Segundo Maria Auxiliadora Gomes, pesquisadora da Fiocruz, à Folha de S. Paulo, muitos locais não estavam preparados para acompanhar as gestantes de forma remota e alguns leitos de maternidade tinham sido desativados por causa dos planos de contingência, o que já foi solucionado, de acordo com o conselho.

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