Hanseníase na gravidez pode levar a complicações para a mãe e o bebê; entenda - Cabeça de Criança
  • Hanseníase na gravidez pode levar a complicações para a mãe e o bebê; entenda



    Foto: Bokskapet from Pixabay

    Entre tantas campanhas que relacionam os meses do ano a algum problema de saúde, o primeiro mês do ano é chamado de “Janeiro Roxo”, mês de conscientização sobre a hanseníase.

    Hanseníase é a doença que era chamada de lepra no passado. Ela é causada pela bactéria Mycobacterium leprae e é uma doença crônica e transmissível.

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    Os primeiros sintomas da hanseníase são manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na pele e perda de sensibilidade. O tratamento da doença é feito com múltiplos medicamentos. A doença é completamente curável e o tratamento é gratuito na rede pública, mas a demora em iniciar o tratamento pode levar a danos permanentes no organismo. O processo de cura é longo, podendo levar de seis meses a um ano, em média, dependendo da gravidade. Por isso, muitas mulheres acabam engravidando sem saber que são portadoras da doença.

    Segundo o ginecologista e obstetra Alberto Guimarães, caso o diagnóstico da doença seja feito durante a gestação, ela pode e deve ser tratada. Segundo o médico, como a imunidade fica mais baixa na gravidez, a doença pode ser agravada durante essa fase e pode atingir outros órgãos além da pele. Além disso, a hanseníase na gestante pode fazer com que o bebê nasça com baixo peso ou pode levar a um parto prematuro, uma das principais causas de morte nos recém-nascidos. “Por isso é importante estimular a grávida a seguir o tratamento”, afirma o médico.

    No caso do tratamento em gestantes, o médico deve evitar usar medicamentos que possam causar má formação fetal, como a talidomida, droga que afetou milhares de pessoas desde que surgiu no mercado, no final da década de 1960, causando defeitos de formação graves, como a ausência de membros no bebê.

    Caso a mulher deseje engravidar e descubra a hanseníase antes disso acontecer, o recomendado é seguir todo o tratamento e esperar a cura antes de ter um bebê.

    Contágio e sintomas
    Segundo o Ministério da Saúde, a hanseníase pode aparecer em qualquer idade, mas é necessário um longo período de exposição à bactéria para que a infecção aconteça, sendo que apenas uma pequena parcela da população infectada realmente adoece. A bactéria causadora dessa enfermidade se multiplica lentamente. Portanto, os sintomas podem demorar até 20 anos para aparecer.

    A hanseníase se manifesta inicialmente na pele, na forma de manchas esbranquiçadas ou avermelhadas, acompanhadas de alteração de sensibilidade térmica, dolorosa e tátil. Outros sintomas incluem áreas da pele com diminuição dos pelos e do suor; dor e sensação de choque, formigamento, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas; inchaço de mãos e pés; diminuição da força muscular da face, mãos e pés e caroços no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos.

    O diagnóstico é feito clinicamente e confirmado com exames laboratoriais.

    Complicações
    A hanseníase pode também afetar os nervos periféricos e, se não for tratada, pode causar danos a esses nervos, provocando fraqueza nas mãos e pés e até deformidades. Era por causa dessas deformidades que, no passado, os pacientes de hanseníase eram isolados do convívio em sociedade e internados em leprosários, onde costumavam ficar até morrer.

    Hoje em dia já se sabe que há tratamento e cura completa para a doença. Mas, se não for tratada, além dos nervos a enfermidade pode atingir fígado, rins, baço e, em casos mais graves, levar à cegueira e paralisia.

    Prevenção
    Para evitar a contaminação pela bactéria que causa a hanseníase, o obstetra Alberto Guimarães recomenda evitar aglomerações, a convivência em espaços com pouca ventilação ou lugares nos quais não há muito cuidado com a higiene. “Seria interessante criar campanhas que pudessem lembrar às pessoas que a hanseníase continua existindo”, diz o médico.

    É importante também estar atento ao corpo e, caso apareçam manchas na pele e diminuição de sensibilidade, deve-se procurar um médico para investigar os sintomas.

    O Brasil concentra mais de 90% dos casos de hanseníase da América Latina, sendo o segundo país no mundo com a maior incidência da doença, ficando atrás apenas da índia. Mais de 30 mil novos casos de hanseníase que passam despercebidos surgem no País todos os anos.

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