Isolamento na pandemia afetou comportamento de crianças, dizem pediatras - Cabeça de Criança
  • Isolamento na pandemia afetou comportamento de crianças, dizem pediatras

    Isolamento na pandemia afetou comportamento de crianças, dizem pediatras



    Isolamento na pandemia afetou comportamento de crianças, dizem pediatras
    Imagem de Anita S. por Pixabay

    Um em cada nove pediatras ouvidos pela pesquisa “O impacto da covid-19 na saúde das gestantes, novas mães e seus filhos”, divulgada nesta quarta-feira (19), dizem que as crianças apresentaram alterações de comportamento durante a pandemia de coronavírus. Os dados são da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Federação das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

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    O levantamento, realizado por meio de questionário online entre 20 de julho e 16 de agosto, contou com a participação de 1.525 profissionais, sendo 951 pediatras e 574 ginecologistas e obstetras de todo o País. A pesquisa identificou também alterações de humor nos pequenos. Segundo 75% dos médicos, as crianças passaram de felizes e ativas para taciturnas e retraídas. Em seguida, veio ansiedade, irritabilidade, depressão, agitação, insônia, tristeza, agressividade e aumento de apetite.

    Alterações da rotina, falta da escola e da convivência com os colegas, e necessidade de isolamento social imposta pela pandemia estão entre os fatores que explicam as mudanças de comportamento das crianças, de acordo com a presidente da SBP, Luciana Rodrigues Silva. A violência doméstica é outro fator que preocupa os profissionais. “Com o confinamento, muitos pediatras têm relatado aumento dos casos de violência contra a criança e o adolescente”, afirma.

    A especialista observa que o uso excessivo de telas afeta também influencia nessa mudança e explica que brincadeiras e tarefas domésticas em conjunto, como cozinhar, podem ajudar as crianças nesse processo.

    Outro aspecto que preocupa os pediatras é a falta de vacinação durante a quarentena. Na pesquisa, 73% dos pediatras disseram ter a percepção de que as crianças deixaram de ser vacinadas nesse período. “As mães estão com medo do contágio pelo coronavírus ao procurar os postos de vacinação, mas ficar sem a vacina é um risco ainda maior para as crianças. Há, por exemplo, um avanço nos casos de sarampo no Brasil neste ano, justamente pela queda nos índices de vacinação durante a pandemia”, frisa Luciana Silva.

    Atrasos no pré-natal

    A pandemia também afetou o comportamento das gestantes. Segundo 52% dos especialistas, as grávidas estão atrasando o início das consultas de pré-natal. Um quinto (20%) relata que elas deixaram de ir ao consultório ou posto de saúde nas datas corretas. Quanto ao acompanhamento, 46% dos médicos dizem que as grávidas tiveram dificuldades de realizar os exames no tempo certo. Além disso, 8% afirmam que elas deixaram de fazê-los nesse período.

    O principal motivo, na opinião de 81% dos entrevistados, é o medo da contaminação pelo coronavírus. Grande parte dos profissionais (70%) explica que as gestantes têm medo de uma possível transmissão da covid-19 para o bebê, caso sejam infectadas, e temem que a doença cause má-formação fetal.

    O presidente da Febrasgo, César Eduardo Fernandes, esclarece que não existe, até o momento, qualquer evidência de que haja transmissão vertical do coronavírus nem que ele cause defeitos congênitos no feto. “É uma crença equivocada talvez pela associação que muitas possam fazer com o vírus da zika, que assolou o país [entre 2015 e 2016] mais do que qualquer outro do mundo”, diz.

    O médico reforça a importância do pré-natal na detecção de doenças. Ele destaca ainda que a própria gestação aumenta as chances de complicações da covid-19, tornando o acompanhamento das mulheres grávidas imprescindível.

    “A gestante tem uma dinâmica diferente da mulher não-grávida. A assistência ventilatória de uma grávida, caso precise ser intubada, é muito problemática. O [bebê no] útero dificulta a expansão do diafragma. É preciso uma equipe muito bem capacitada para atendê-la nessas condições”, explica.

    Um estudo recente apontou que o Brasil tem 77% das mortes de gestantes e puérperas por covid-19 registradas no mundo.

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